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Especialistas defendem ampliação de exames diagnósticos de câncer no SUS-BH

Frase logo abaixo- Proposta apresentada busca usar emendas parlamentares para reduzir filas e ampliar a assistência oncológica.

Desafios do atendimento a pacientes oncológicos, financiamento de procedimentos e possibilidades de ampliar a oferta de exames pautaram a audiência pública realizada pela Comissão de Saúde e Saneamento nesta quarta-feira (21/10). O encontro buscou debater a necessidade de fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção, conscientização e tratamento do câncer em Belo Horizonte. Requerente da reunião, Neném da Farmácia (Mobiliza) defendeu a união dos 41 parlamentares em torno de ações para melhorar o atendimento oncológico na capital. O vereador também apresentou uma proposta de articulação entre os parlamentares para destinar recursos à redução das filas de exames e ampliar a transparência sobre a espera por exames e cirurgias. Secretário adjunto de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Breno Galvão declarou que a administração municipal tem buscado construir uma "política de saúde de excelência" e afirmou que as questões levantadas durante a audiência pública serão discutidas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA).

População como prioridade

De acordo com levantamento apresentado por Neném da Farmácia, o câncer de mama é o mais frequente na capital, correspondendo a 10,7% dos casos da doença. Em seguida, aparecem os cânceres de cólon e reto com 8.9% e de próstata, com 8,2% dos casos. Diante desse cenário, a audiência pública discutiu estratégias para ampliar o acesso ao diagnóstico, reduzir a espera por exames, garantir que o tratamento comece no tempo adequado e fortalecer a rede pública de saúde. O vereador defendeu a prevenção como prioridade e ressaltou a importância de assegurar que os pacientes tenham acesso aos procedimentos necessários em tempo adequado.

"A prevenção é muito mais barata do que o tratamento tardio. Precisamos buscar uma saúde mais justa e fazer com que as filas de exames da nossa cidade possam diminuir", declarou Neném da Farmácia.

O parlamentar ainda defendeu a união dos 41 vereadores em torno de ações para melhorar o atendimento aos pacientes oncológicos. Segundo ele, divergências políticas não devem atrasar medidas necessárias à população. "Eu sou a favor de que não tenha ninguém morrendo por falta de exame e por falta de uma cirurgia realizada a tempo", declarou Neném da Farmácia.

Conscientização e diagnóstico

Paulo Ferreira, que recebeu o diagnóstico de câncer de próstata e atualmente está curado, relatou que, por ser "criado na roça", longe de recursos, não se importava muito com a saúde e sempre fez uso de remédios caseiros. Ele contou que depois de não dar muita atenção aos primeiros sintomas, o conhecimento foi fundamental para buscar atendimento, e que a orientação médica foi decisiva para superar a doença. Paulo também incentivou a população a procurar assistência médica diante de sintomas e a realizar todos os exames solicitados pelos profissionais de saúde.

"Por falta de informação, eu fiquei na minha um tempo. [...] Quantas pessoas, lá no interior, por falta de recursos, não perderam suas vidas por falta de informação", declarou Paulo Ferreira.

O médico especialista em oncologia Virgílio Baião Carneiro defendeu que o enfrentamento ao câncer deve contemplar diferentes etapas, desde a prevenção até o tratamento. Ele destacou que, quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores são as possibilidades de um prognóstico favorável, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

Questão social

Diretor geral do Instituto de Oncologia da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), Vespasiano Neto chamou atenção para os fatores sociais e financeiros que dificultam a continuidade do tratamento. Segundo ele, o absenteísmo - quando o paciente não comparece à consulta ou ao procedimento agendado ? aumenta no fim do mês, possivelmente devido à falta de recursos para o deslocamento. Ele acrescentou que a dificuldade de voltar às unidades de saúde para buscar resultados de exames também pode atrasar o atendimento. Para enfrentar esse problema, a instituição tem investido em tecnologia para facilitar o acesso dos pacientes aos resultados. O cirurgião-geral também destacou a importância de integrar os serviços de saúde para garantir o diagnóstico. Para Vespasiano Neto, a cooperação entre as instituições é fundamental para ampliar o acesso à assistência oncológica e assegurar dignidade aos pacientes.

Filas de espera

Os participantes também ressaltaram a necessidade de ampliar a transparência sobre as filas de exames e cirurgias, bem como melhorar o rastreamento dos pacientes para facilitar o acesso dos pacientes ao diagnóstico e ao tratamento. Representantes hospitalares falaram sobre a capacidade de atendimento das unidades de saúde, mas destacaram que a realização de exames exige recursos para a contratação de equipes e cobertura das despesas. "A gente tem uma capacidade grande de produção de exames, mas precisamos de ajuda para oferecer os exames que são mais complexos", defendeu Vespasiano Neto.

O professor e palestrante Daniel Martins apresentou o plano de ação proposto por Neném da Farmácia, que prevê a mobilização de emendas parlamentares para contribuir com a redução das filas de exames e tratamentos oncológicos. Ele destacou que a proposta, que prevê a criação de uma reserva financeira para custear diagnósticos, precisaria ser apresentada pelo Poder Executivo, também responsável pela gestão. No entanto, segundo Daniel Martins, os vereadores poderiam contribuir com a iniciativa por meio da destinação de emendas parlamentares. O professor também ressaltou a disposição dos vereadores de BH para se unirem em torno de uma "força-tarefa" para reduzir os impactos das filas sobre os pacientes.

Posição da PBH

Secretário adjunto de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Breno Galvão destacou a importância da informação e da prevenção no enfrentamento ao câncer. Ele lembrou que uma lei aprovada pela Câmara Municipal garante tarifa zero no transporte público aos pacientes oncológicos durante o tratamento. A solicitação do benefício pode ser feita pelo portal da PBH. Segundo o gestor, a medida também pode contribuir para reduzir o absenteísmo. Breno afirmou ainda que a prefeitura tem buscado construir uma "política de saúde de excelência", mas enfrenta desafios de financiamento, entre eles o atendimento a pacientes de outros municípios. De acordo com o representante, cerca de 40% das pessoas atendidas em Belo Horizonte não residem na capital, o que gera custos para a rede municipal. Ele acrescentou que as questões levantadas durante a audiência serão discutidas pela Secretaria Municipal de Saúde.

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